Ninguém resiste aos encantos de Penedo
Ao descortinar a histórica e encantadora cidade de Penedo, cuja fundação data do início da colonização portuguesa, após o Descobrimento, o visitante logo se emociona com seu casario colonial de biqueiras, sobradões de linha portuguesa, ruas, escadarias de pedras, igrejas seculares e monumentos históricos, tudo impecavelmente cuidado e preservado em seu status original. Tudo deixa a impressão de que o tempo ali parou nos últimos 100 anos para que fosse mantido intacto o rico patrimônio da humanidade, em estilo barroco, somente comparado ao da também cidade histórica de Ouro Preto, Minas Gerias que, não obstante a toda sua performance de considerável pólo turístico nacional, é mais nova em cerca de 135 anos, pelo menos, e não conta com a plasticidade do rio São Francisco para realçar ainda mais o seu patrimônio. Ninguém resiste ao encanto de Penedo que, deitada sobre imenso rochedo do qual foi erguida, parece repousar em berço esplêndido.Cada igreja, cada recanto, cada um de seus monumentais prédios, cada pedra que ali foi assentada, revela a origem e ligação desse lugar com o Brasil colonial: As sua ruas idealizadas em cima das curvas sinuosas que o rio perfaz entre o sertão e o mar, faz aumentar ainda mais o misticismo e até mesmo o lendário que se supõem envolver todo o seu passado.
RELICÁRIOA “cidade dos sobrados”, como a ela assim se referiu o mestre Gilberto Freyre é mais do isso; é mesmo “um relicário vivo a céu aberto”; “uma pedra, mas uma pedra preciosa às margens do São Francisco”, na divisa de Alagoas com Sergipe. Tornou-se cidade em meados do século XIX, ostentando o título imperial de “mui nobre, leal e valorosa”.Em 1859, o
imperador D. Pedro II a visitou, hospedando-se no sobrado da família Lemos Ribeiro, que foi transformado em Paço Imperial para receber o monarca e sua comitiva. Hoje, restaurado, o sobrado representa um marco da maior importância para a vida cultural da cidade.É bom sentir e curtir intimamente os momentos vividos por sua gente; poder vivenciar a estreita ligação que existe entre a cidade e o “Velho Chico”; presenciar o embarque e desembarque de pessoas, umas que vão e outras que vêm, se misturando ao aconchego da terra, num movimento intenso; as balsas que fazem travessia – Penedo-Neópolis - e vice versa, transportando veículos leves e pesados, tudo levando à íntima percepção de que a gente daquele pedaço de chão que estamos pisando não vive apenas do passado, mas de fazer o agora, não detendo-se diante dos obstáculos que tem de vencer para que sua Penedo se levante novamente e se firme como centro promissor de progresso, cheia de vida e otimista. É isso que se sente ao ver o reboliçar das águas do “Velho Chico”, embaladas pelo singrar das embarcações; canoas estendendo suas velas como o esvoaçar de muitas borboletas a alegrar a vida, naquele canto, realçando com a suntuosidade do belo conjunto de prédios seculares e a plasticidade exuberante da região ribeirinha.BOCA DE LUAR
Ninguém resiste aos encantos de Penedo... seus dias ensolarados e a beleza que se expande dos relevos do “Velho Chico”, o grande rio da “unidade nacional”, que passa lento em direção ao mar para lá despejar dois milhões de metros cúbicos d’agua por segundo. É difícil alguém resistir aos seus encantos sem sentir no coração a emoção do momento vivido ao “por-do-sol”, quando do campanário vêm sonoras badaladas de sino anunciando a Ave Maria. – É de se tirar o chapéu e rezar!...O astro-rei arriando o seu grande facho de luz sobre as montanhas, sereno e cheio de fulgor. A tarde cai tristonha, deixando um turbilhão de lembranças. E aí vem a noite ... e a lua-cheia pode dar o ar de sua graça hoje, para deixar as bocas enluaradas cantando coisas de amor...
- O luar do sertão é sempre mais bonito! Não há luar nenhum como este!... interrompe um jovem fagueiro que tenta enamorar-se da noite e cativar a bela morena sentada a um canto, naturalmente plagiando alguma canção sertaneja que se decanta ao som da viola e do violão. Carlos Drumont, provavelmente diria que aquela sorridente penedense tinha “boca de luar”, reaquecendo o seu lindo poema. Mas perderia seu tempo, pois o jovem fagueiro já adianta fazendo um galanteio:- Você tem boca de luar!
- Quê???
- Eu disse que você tem boca de luar!
- Como assim?
- Que é isso?
- É que seus dentes rebrilham à luz da lua!
- Ah!...
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Fotos de ruas de Penedo, cidade do estado de Alagoas- Brasil

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