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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Piranhas - Uma cidade de encantos mil...

Quem vem pela primeira vez à antiga cidade de Piranhas, às margens do rio São Francisco, alto sertão de Alagoas, encanta-se de imediato com sua exótica beleza, caracterizada pelos relevos naturais de formação montanhosa e o sui generis de seu casario. Na parte baixa, vê-se excelente acervo arquitetônico, que inclui a antiga estação ferroviária, da Great Western Brazil Railway construída entre 1878 e 1881. Becos, sobrados, ladeiras (algumas delas ainda calçadas com pedras portuguesas), e casarões coloniais com elementos de platibanda, dão um realce todo especial a esse lugar. No alto, apinhadas sobre a montanha, casinhas simples e coloridas passam a idéia de um cenário de filme de conto de fadas ou, como quer Rosiane Rodrigues, escritora local, uma “lapinha de Natal”. É difícil alguém não reparar admirado em sua excentricidade e capacidade de resistir às intempéries do tempo, colhendo disso a boa impressão de que está vivenciando um raro momento passado em meio à natureza árida mas cheia de vida, num mundo fora do nosso mundo.Recentemente tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, Piranhas constitui-se num lugar encantador, modelo de idealismo e perseverança, onde o homem sofrido iniciou longa caminhada, enfrentando trancos e barrancos para chegar onde chegou, conservando, no entanto, muito nítidos e estáveis seus caracteres étnicos. Ganha ares de pujança e nobreza, com dimensão universal, aquele lugar, já que esse reconhecimento eleva às alturas o seu acervo histórico-cultural, guardado e preservado através dos séculos pela gente local, que se faz em cuidados com o que é de se cuidar, para a preservação dos bens deixados à serventia de todos. Das cidades alagoanas, somente Piranhas e Penedo detêm tamanha honraria, suplantando,inclusive, Marechal Deodoro e Porto Calvo, cujos patrimônios históricos também são merecedor de reconhecimento. Piranhas é uma terra diferente de todas as outras conhecidas, cuja originalidade e traços pitorescos colocam-na como uma das mais belas e atraentes do Nordeste brasileiro. Nem mesmo as gigantescas e modernas instalações da Usina Hidrelétrica Xingó (que compõe o segundo maior complexo do gênero no Brasil e o sexto em todo o mundo), despertam tanta curiosidade e interesse quanto essa pacata cidade incrustada nas grimpas e barrancas do São Francisco.
O turista embevece-se ao descortiná-la, curtindo um sol
extraordinariamente belo e de grande fulgor, nascendo no horizonte dos céus e refletindo seus raios vivificantes sobre as montanhas e águas do “Velho Chico”, derramando, ainda, nos telhados dos prédios seculares, uma cor avermelhada.

Ás primeiras horas da manhã, andar descalço à beira-rio faz bem. É o momento também de se conhecer o lugar e sua gente; de esticar-se numa caminhada íngreme até o secular mirante do Alto do Bonfim, recentemente reconstruído e revitalizado pela municipalidade, depois que sofreu grande desabamento em janeiro de 2002. Será uma maratona de fôlego, de força física, porque a ele se chega através de uma escadaria de inclinação bastante acentuada, de 300 degraus. O obelisco, que foi erguido como símbolo da fraternidade entre gerações no final do século XIX, ganhou mais importância quando a ele foi acrescentada a forma atual: cinco pirâmides de oito metros de altura, representando as cinco regiões do Brasil. Este guarda ainda a antiga inscrição em bronze: “Os homens do século XIX saúdam os homens do século XX”. Está localizado num dos pontos mais elevados da cidade, oferecendo uma visão privilegiada do Sítio Histórico de Piranhas.
Com a construção da barragem dessa Hidrelétrica a navegabilid
ade até Paulo Afonso tornou-se possível pela primeira vez num percurso de 60 quilômetros de distância, passando as embarcações através do grande cânyon, de imensas paredes de granito e de majestosos obeliscos esculpidos pela natureza, onde rio e caatinga perfazem um contraste exuberante, dando-se a um novo “descobrimento” para o homem do nosso século. A freqüência com acorrem chegar grupos e mais grupos de turistas nessas bandas permitiu que, aos pouco, toda a região do Xingó venha se adaptando e despertando para a necessidade de explorar o seu turismo, um turismo de tendências ecológicas, culturais e esportivas, que eclode ao mesmo tempo em que renasce a esperança do sertanejo no progresso cada vez maior do seu torrão, acelerado pela produção de energia elétrica da Chesf e pela própria veia turística que corre como correm as águas do rio, num percurso contínuo. Hoje, essa atividade já é uma realidade que desponta como uma das mais importantes para o desenvolvimento sócio-econômico do Alto Sertão e de Piranhas, principalmente, oportunizando, além de tudo, o acolhimento para turistas do mundo inteiro que chegam para conhecer os atrativos da natureza desse lugar de características peculiares, ainda não totalmente degradado e poluído pelo homem.

Piranhas é mesmo um lugar de rara beleza, onde a natureza é exuberante e acolhedora, oferecendo um clima quente e seco no verão, mas agradável no inverno. Isto acontece porque o astro-rei proporciona alta temperatura e intensa luminosidade, que são compensadas pela ação de outros fatores ambientais, como o solo, o relevo das montanhas e a vegetação ciliar, que mesmo sendo rala, oferece substancial condição de amparo à terra. Constitui-se, isso, num fator climático da maior importância para a vida do Sertão.
Sua formação comunitária originou-se de um certo arraial de nome Tapera, lá pelos idos dos anos não conhecidos do sertão, talvez de quatro séculos, tornando-se vila, interposto comercial e depois cidade, emancipando-se em 1930.

Sua reminiscência histórica, no entanto, vem de antes mesmo do início da navegação do baixo São Francisco, o que somente se deu a partir de 1867 e da construção da estrada de ferro, ligando o lugarejo a Paulo Afonso (BA) e ao município de Jatobá, hoje Petrolina (PE). Desconhece-se com exatidão o rumo dos acontecimentos disso para trás.
Ocupa uma área de 409 km², com altitude de 47 metros e clima temperado, que apresenta temperatura mínima de 20º graus e máxima de 39º graus. Limita-se, ao norte com Inhapi (42 k); ao sul com o rio São Francisco (próximo); a leste com São José da Tapera (48 k) e Pão de Açúcar 42 km) e a oeste com Olho d’Água do Casado (19 km), este, desmembrado de suas terras em 1962. Dista 270 quilômetros de Maceió, capital do Estado de Alagoas. No município encontram-se grande quantidade de plantas ciliares e medicinais, cactos e bromélias; no mineral: pedra calcária e argila (em exploração) e ferro ainda não explorado.
Na fauna, tatu, veado, caititu, tamanduá, peixe, camarão e pitu. É uma cidade “linda, muito linda, muito mais que linda”. Em virtude de ter sido construída como foi, no alto, de qualquer ponto pode-se ver a cidade toda (parte baixa) e o movimento de suas ruas estreitas, de pequenos sobrados, de praças bem cuidadas (até bem pouco tempo o calçamento era de paralelepípedos e agora todo em asfalto), tudo impecavelmente arrumado, formando um panorama exótico e sui generis, senão mesmo pitoresco. Sua população atual é de 20.021 habitantes, sendo constituída de 9.868 homens e 10.155 mulheres.



2 Comentários:

  • A beleza flui nestas lindas fotos e textos que se harmonisa com a criação que se fixou e pintou com maestria este lindo lugar do Brasil. Longe daik, daqui do Rio de Janeiro, editando o velho O REBATE, me vi neste lugar maravilhoso onde flui o que mais sutil o homem pode olhar e admirar. Quem sabe um dia possa conhecer estas maravilhas que o Bezerra expoe no seu blog? abs de José Milbs de Lacerda Gama editor de O REBATE Macaé RJ

    Por Blogger Unknown, às 24 de novembro de 2007 às 01:20  

  • Piranhas e mesmo um encanto, adorei e quem sabe um dia vou para la. Beijossss

    Por Blogger Claudia, às 3 de dezembro de 2007 às 03:29  

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