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sábado, 22 de dezembro de 2007

BEZERRA NETO
Jornalista e escritor
E-mail:
bzneto@gmail.com

O segundo encontro

Semana de 17 a 24/11/2007
Como prometi, volto a falar sobre o Cavaleiro da fonte: em 1964, rodei um filme-documentário sobre a vida de Delmiro Gouveia. Foi nessa oportunidade que tive meu segundo encontro com o insólito (lembram-se do primeiro artigo sobre esse tema?). Depois de mais de vinte anos, ele reapareceu, e salvou-me de morte certa. – Que nome guardaria ele em seu misterioso designo? Anjo da guarda? Cavaleiro do destino? Eu o chamarei de meu Salvador. E peço a ele perdão por contar mais este trecho da minha vida ligada às suas aparições. A equipe de filmagem estava ansiosa para deixar a cidade de Delmiro Gouveia, no Algo Sertão alagoano, pois já havíamos terminado todo o trabalho ali; o filme estava pronto para receber os serviços de laboratório e ser exibido nas telas, mas eu tinha que ser o teimoso de sempre!Teimei em fazer tomadas de uma certa gruta onde se escondia o cangaceiro Lampião, nas ribanceiras do rio São Francisco, um lugar de difícil acesso, próximo à antiga usina hidrelétrica (a primeira do Nordeste) que o pioneirismo de Delmiro implantou na região sertaneja para fazer movimentar sua fábrica de linhas. A esse lugar só se podia ir descendo por uma velha escada espiral de ferro (com centenas de degraus), que não oferecia segurança alguma. Fui avisado disto, mas não dei importância às apelações dos amigos fazendo-me ver o grande perigo que representava essa minha teimosia. Preparei-me para descer a velha escada, apesar de todos os protestos. Estava amarrado a cordas e sentia-me seguro, pronto para iniciar a descida até à margem do rio. A câmara de filmagem também estava bem amarrada e segura, como fazia crer.- Pronto? – perguntei à equipe. Pronto! – respondeu-me esta. Mas, quando coloquei os pés sobre o primeiro degrau, eis que nesse momento, senti sobre meu ombro uma mão forte. Virei a cabeça sobre o ombro para ver quem era. Ela ele, o Cavaleiro da fonte, o mesmo da minha visão de adolescente. Não o tinha esquecido. Ele fez sinal meneando a cabeça avisando-me de que não devia descer àquela fundura. Olhava-me fixo, como se fosse uma repreenda. Num olhar, vi também o seu belo cavalo amarrado a uma argola de meio-fio, na calçada que completava o piso de um recanto próximo à guarita de acesso. Obedeci e retirei de imediato os pés da escada. “Botei o rabo entre as pernas” e agüentei a galhofa do pessoal. Três dias depois a escada de ferro, já muito velha, ruiu de cima a baixo, tomada pela ferrugem. Li na primeira página do Jornal de Alagoas.

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