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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

BEZERRA NETO
Jornalista e escritor
E-mail:
bzneto@gmail.com

ASA X CSE

Semana de 19 a 26/01/2008

Foi no início da década de 50 que apareceu no cenário esportivo alagoano a Agremiação Sportiva Arapiraquense – ASA, patrocinada por Antonio Rocha e um grupo de verdadeiros desportistas, entre os quais, Higino Vital, Nelson Rodrigues, José Lima Mota, Haroldo Matos Mateus, Francisco Pinheiro Tavares e Manoel Brasil. Foi nessa época também que o ASA foi melhor. Era praticado um futebol amador da melhor qualidade. Nas tardes de domingo, no campo da estação ferroviária, o alvi-rubro fazia a alegria da Cidade, jogando partidas brilhantes com adversários à altura de um CSE, por exemplo, sempre e sempre o seu maior rival em campo. As torcidas agitavam dos dois lados, sendo a do ASA a mais “quente”. Embora menino, lembro-me do episódio ocorrido em Palmeira dos Índios em 1953, quando da decisão do campeonato matuto.
Dia de muita chuva, o ASA vencia por 1X0, quando o juiz Waldomiro Breda resolveu paralisar o jogo por falta de condições, aos 35 minutos do segundo tempo. O “sururu” começou a ser cozinhado aí. Mais uma semana de espera, porque só no domingo seguinte seria terminado o embate. As duas torcidas passariam a semana na maior expectativa, agitando, conversa – vai – vai – conversa – vem – Arapiraca é terra disso – Palmeira é terra daquilo... E eis que chega o domingo “fatídico”..As duas cidades tornar-se-iam inimigas a partir desse dia. A Federação Alagoana de Desportos havia determinado que o campeão seria o vencedor nos dez primeiros minutos de partida, tempo esse que faltou ser jogado no domingo anterior, por culpa do mal tempo. Até aí, tudo bem. O jogo começa. São jogados os dez minutos e o placar não se altera.
O campeão é o ASA. Torcedores de Palmeira não aceitam. O “sururu” é requentado e o pau comeu, com jogadores esmurrando-se mutuamente e e torcedores quebrando cabo de guarda-chuvas na cabeça dos arapiraquenses. No dia seguinte (segunda-feira), os palmeirenses não tiveram acesso à feira de Arapiraca, a maior de toda a região. Piquetes armados nas embocaduras da cidade, para impedir que feirantes da “Terra dos Chucurus” entrassem. O pau comeu, agora numa armação da “Capital Brasileira do Fumo”. A polícia local colaborou, dando “cassetetadas”. Daí vem uma antiga animosidade entre palmeirenses e arapiraquenses que, graças à compreensão e boa vontade dos homens de hoje, desapareceu por completo.

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