Jornalista e escritor
“Eu sou eu”
Semana de 23/02 a 01/03/2008
Deus deixa tudo ao livre arbítrio do homem, como se o quisesse testar... Mas ele mata, esfola, rouba, depois vai ao confessionário para redimir-se de culpa. E nome de Deus outro homem absolve de culpa aquele que assim procede por maldade; vende-lhe indulgências. E caminhamos debulhando o milho das espigas e guardamos debaixo da soleira os seus grãos, para não sermos roubados pelos que espreitam com olhos gordos. A mulher mata o marido para se beneficiar do seguro; o filho dá cabo da vida do próprio pai e fica com os frutos de sua herança. Nas ruas, os “trombadinhas esperam aquela velhinha que sai do banco após sacar os minguados “tostões” de sua defasada aposentadoria, e roubam-lhe... Chegam até a matar. Os “trombadões” assaltam a mão armada, e tiram a vida das pessoas por dinheiro. Os políticos enganam as massas com falsas promessas...
E é assim. O mundo de hoje é uma verdadeira Torre de Babel, empinada para o alto da degeneração, da gula, da fome de poder, da maldição de Caim. O homem é um eterno desajustado em seu próprio meio; não se contentando com pouco; ele quer sempre mais e mais. Ele fala: eu sou eu sem medir as suas palavras, por se considerar sozinho no mundo, sem ninguém ao lado. No entanto, esse que assim se auto-estima, não é nada sozinho. “Será como os sinos do vendo, cujos sons mudam de tom segundo a aragem...” - Por que dizemos nós eu sou eu? Será por falta de fé em Deus ou porque somos mesmos individualistas? O que teme o homem repartir com outro homem se a vida é efêmera e ninguém levará nada deste para o outro mundo; nem mesmo a desgraçada vaidade?
Por que não nos unimos uns aos outros e ajudamos aos demais que precisam de nossa volta; todos os homens, com amor e compreensão, aqueles mais fortes procurando levantar os mais fracos, não os deixando cair sobre suas fraquezas? Por que não procuramos compreender melhor até aos ignorantes, emprestando-lhes a devida solidariedade, a todos, indistintamente, sem esperar recompensas, quaisquer que sejam? 0 homem, se algum dia acreditar em outro homem, passará a acreditar em Deus em si mesmo. E ele não pode acreditar em outro modo de ser, pois, do contrário, será como um cristal tosco, sem brilho, que ainda falta. E andará numa base de dois polígonos paralelos, uma parte direcionada à vida soberba que leva e a outra declinadoa até o fundão do estado de morte em vida.

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