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terça-feira, 25 de março de 2008

BEZERRA NETO
Jornalista e escritor

Abismos



Semana de 16 a 23/02/2008

Todo homem pode, independentemente de sua vontde, por razões psicológicas, ser toentado por impulsos negativos interiores que o levem a rejeitar os valores em que antes acreditava. É aí que o obscurantismo pode derramar suas trevas em nossa fé em Deus. O homem vem tentandopor inúmeras maneiras uma justificação de Deus para a sua existência; vem frequentando templos e mesquitas, rezando e apostolandop segundo os vários credos religiosos postos à sua disposição; vem especulando, às vezes dentro de propósotos compreensíveis, e outras tantas pela simples curiosidade, ou vontade de crer, de acreditar em alguma “fórmula milagrosa”. “mágica”, que o alivie na vida perturbada. E vai, em alguns lugares encontrando a paz desejada e, em outros, caindo em abismos ainda mais profundos.
Falamos de amor nos templos e em círculos associativos, nos “grupinhos”, com apelos quase dramáticos, mas nem todos os sentimentos brotam de corações bem formados. São mais frutos de vaidade; do egoísmo cego que falseia argumentos de irmandade, cujos objetivos são na verdade outros. Tudo não passa de falação deitada em momentos lúdicos, ditados por algum outro interesse, nas ocasiões em que nos encontramos revestidos da boa ação; anestesiados pela oração do momento e levados pelas promessas de auxílio mútuo, conforme a maioria das sociedades organizadas com esse objetivo, onde o homem aparece como um indivíduo gragário e afeito à solidariedade. \mas, ao sair dali, eis que cada um segue o seu próprio caminho, sem nada acrescentar em ajuda ao seu irmão.
Vivemos espreitado a casa do visinho para Saber como ele vive e o que faz para conseguir o bom emprego que tem, uma bela casa com piscina, carro e tudo o mais. Fazemos isso com o maior dos descaramentos, sem o menor constrangimento ou respeito próprio, num procedimento vil de ambição e fanância, cujos maus costumes partem, daí, para a ação violenta do furto e do roubo, que pode matar famílias inteiras; por um pedaço de pão, por um pedaço de terra; a terra que, sequer, deveria ter donos, porque é da Natureza. E o pão que, se repartido e dividido como mandam as Sagradas Escrituras, datia para todos. E nisso perdemos nossa identidade como seres humanos; além do que, vilipendiamos nossos próprios deveres para com Aquele que veio nos avisar sobre a grandeza de nos amar-mos uns aos outros.

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