Jornalista e escritor
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Semana de 26 a 03/05/08
- Quem, dos boêmios e gastrônomos dos ‘dourado anos’ 60 e 70 – e um pouco mais além do que isso – não se lembra do famoso ‘Buraco da Zefa’, no coração do populoso bairro de Ponta Grossa, onde se servia uma caprichada macarronada e galinha a molho pardo? Melhor dizendo, quem desses não se lembra da grande dama da culinária alagoana, cujo dom de cozinhar e fazer amigos era admiravelmente todo dela? Freqüentei por vários anos o “Cantinho da Zefa” (como ela gostava que fosse chamado) e guardo na lembrança o seu jeitão de ser: mulher de sorriso franco; sorriso aberto – como se diz – com seus dois dentes de ouro à mostra e toda de branco, com seu “Axó” de Oxalá, sendo a mais das encantadoras figuras humanas. Acima de tudo, querida da rapaziada do bairro, patrocinadora e promotora de festinhas populares, através das quais conquistava a todos.
‘Buraco da Zefa’, ou ‘Cantinho da Zefa’, não fazia diferença como era chamado, mas era tão famoso quanto o coqueiro torto – Gogó da Ema – que não resistiu às intempéries do tempo e morreu ante dos anos 60; tão famoso quanto os restaurantes e bares ‘Ostras’ (na Levada), ‘Gaivota’ (em Pajuçara); tão famoso quanto o ‘Zinga Bar’, na praia de Riacho Doce. Todos esses eram freqüentados por turistas, políticos, intelectuais, jornalistas, turistas; por famílias maceioenses, boêmios e gastrônomos, servindo de ponto de encontro para os “famintos” freqüentadores das costumeiras noitadas nos clubes sociais, Festa da Mocidade e festas populares, que se realizavam em várias épocas do ano na Praça da Faculdade de Medicina; nos bairros de Bebedouro, Fernão Velho, Pajuçara, entre outros. O que fazia a diferença (e o que faz mais falta hoje) é o tempero que só a Zefa sabia fazer é a camaradagem daquele tempo, onde todos se conheciam pelos nomes. Senti saudade hoje daquela ‘mulher maravilha’ que enchia o peito de orgulho quando era incumbida de organizar uma festa para as danças folclóricas: “este ano vou ganhar novamente o primeiro lugar pela decoração do Arraial de São João”. O que faz mais falta é não tê-la nos afazeres de sua cozinha da famosa casa da Rua Tiradentes, 128, point da intelectualidade alagoana, políticos e jornalistas, esses vindos das redações dos jornais da época (após o fechamento de páginas): Gazeta, Jornal de Hoje, Jornal de Alagoas e Correio de Maceió, lá para além das duas horas da manhã, com certeza de que podiam deixar mais um ‘pendura’. A Zefa aceitava.
