BEZERRA NETO
Jornalista e escritor
E-mail: bzneto@gmail.com
“Os selvagens do Coruripe”
Semana de 05 a 12/04/08
Este era o título de um panfleto escrito pelo hoje consagrado escritor e teatrólogo Pedro Onofre, quando ainda era menino, na cidade de Arapiraca. Pedro “Carioca”, como era chamado, por ter vindo do Rio de Janeiro para a “Terra do Fumo”, jogava de goleiro no time do Alto do Cruzeiro, lá pelo final dos anos 50. Era bom goleiro. Certa feita, seu time foi jogar na cidade de Coruripe, venceu a partida por largo escore, mas apanhou no “cacete”; foram cacetadas as tantas sobre as cabeças dos jogadores e dos que os acompanhavam; uma briga feia onde se envolveram todos que estavam no campo de futebol. Os de Arapiraca tiveram que sair às pressas para não “morrer no pau”. Ao chegar em casa, “amassado”, denegrido e com muita raiva, o “Carioca”não contou conversa: pegou a pena e escreveu “Os selvagens do Coruripe, boletim no qual contou toda a infeliz saga daquele domingo, metendo a “lenha” naquele povo.
Com o boletim da lamentável ocorrência debaixo do braço, a “turma” de Pedro, inflamada, distribuía-o entre os feirantes do município que vinham para a Feira de Arapiraca, na segunda. Parava os caminhões de feirantes e distribuía o boletim. Não só distribuía como cobriam de “pau” aqueles que eram reconhecidos como “selvagens”. Coisa dos tempos da juventude; dos tempos que não voltam mais... Outro dia, percorríamos – eu e Pedro Onofre - as zonas de praias de Alagoas fazendo cobertura jornalística para uma grande revista de projeção nacional, quando tivemos que entrar em Coruripe. É lá onde se encontram as mais belas praias, que não poderiam ficar de fora da matéria. Pedro não queria entrar na cidade, com receio de retaliações. – Ora, Pedro, isso já faz muito tempo. Com certeza, ninguém se lembrará mai do acontecido, argumentei. Viajávamos num “jipão” cedido com motorista pela Polícia Militar de Alagoas. Entramos na cidade e, logo passada a primeira curva, paramos em frente a uma casa de sinuca. Pedro, já gordo, só podia ir no bando da frente. Logo foi reconhecido. De dentro da casa, um sujeito apareceu com o taco na mão e gritou: “Os selvagens do Coruripe”!!! Estávamos “fritos”. Lembrei-me logo do Bispo Sardinha, devorado pelos Caetés. Pedro desceu do carro, vermelho que só uma brasa. Quando demos conta, mais de 10 cururipenses estavam rodeados, de tacos em punho. Seguravam-no pela ponteira, de cabo virado. “Praça de guerra”, e o “praça” que dirigia o carro, pulou logo fora, saindo de fininho... Um dos “selvagens” eu o conhecia. Era Aécio Chanchão, lá chamado de “coronel Canchão, corredor de vaquejada. Tudo não passou de brincadeira, e entramos na cachaça durante três dias.
Jornalista e escritor
E-mail: bzneto@gmail.com
“Os selvagens do Coruripe”
Semana de 05 a 12/04/08
Este era o título de um panfleto escrito pelo hoje consagrado escritor e teatrólogo Pedro Onofre, quando ainda era menino, na cidade de Arapiraca. Pedro “Carioca”, como era chamado, por ter vindo do Rio de Janeiro para a “Terra do Fumo”, jogava de goleiro no time do Alto do Cruzeiro, lá pelo final dos anos 50. Era bom goleiro. Certa feita, seu time foi jogar na cidade de Coruripe, venceu a partida por largo escore, mas apanhou no “cacete”; foram cacetadas as tantas sobre as cabeças dos jogadores e dos que os acompanhavam; uma briga feia onde se envolveram todos que estavam no campo de futebol. Os de Arapiraca tiveram que sair às pressas para não “morrer no pau”. Ao chegar em casa, “amassado”, denegrido e com muita raiva, o “Carioca”não contou conversa: pegou a pena e escreveu “Os selvagens do Coruripe, boletim no qual contou toda a infeliz saga daquele domingo, metendo a “lenha” naquele povo.
Com o boletim da lamentável ocorrência debaixo do braço, a “turma” de Pedro, inflamada, distribuía-o entre os feirantes do município que vinham para a Feira de Arapiraca, na segunda. Parava os caminhões de feirantes e distribuía o boletim. Não só distribuía como cobriam de “pau” aqueles que eram reconhecidos como “selvagens”. Coisa dos tempos da juventude; dos tempos que não voltam mais... Outro dia, percorríamos – eu e Pedro Onofre - as zonas de praias de Alagoas fazendo cobertura jornalística para uma grande revista de projeção nacional, quando tivemos que entrar em Coruripe. É lá onde se encontram as mais belas praias, que não poderiam ficar de fora da matéria. Pedro não queria entrar na cidade, com receio de retaliações. – Ora, Pedro, isso já faz muito tempo. Com certeza, ninguém se lembrará mai do acontecido, argumentei. Viajávamos num “jipão” cedido com motorista pela Polícia Militar de Alagoas. Entramos na cidade e, logo passada a primeira curva, paramos em frente a uma casa de sinuca. Pedro, já gordo, só podia ir no bando da frente. Logo foi reconhecido. De dentro da casa, um sujeito apareceu com o taco na mão e gritou: “Os selvagens do Coruripe”!!! Estávamos “fritos”. Lembrei-me logo do Bispo Sardinha, devorado pelos Caetés. Pedro desceu do carro, vermelho que só uma brasa. Quando demos conta, mais de 10 cururipenses estavam rodeados, de tacos em punho. Seguravam-no pela ponteira, de cabo virado. “Praça de guerra”, e o “praça” que dirigia o carro, pulou logo fora, saindo de fininho... Um dos “selvagens” eu o conhecia. Era Aécio Chanchão, lá chamado de “coronel Canchão, corredor de vaquejada. Tudo não passou de brincadeira, e entramos na cachaça durante três dias.

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