BEZERRA NETO
Jornalista e escritor
Jornalista e escritor
E-mail: bzneto@gmail.com
Uma jaca como almoço
No Natal de 1978, estávamos ‘lisos’, eu e Sabino Romariz, grande radialista, que depois se tornaria no maior líder de audiência, com seu programa “A Vez do Povo na TV (pela TV Alagoas); foi deputado, com a maior votação de todos os tempos; depois, ainda, nome de expressão da Rádio Nacional de Brasília. Mas estávamos os dois desempregados naquele momento. Sabino, demissionário da Rádio Gazeta (da Rua do Comércio) e eu acabara de deixar um empreendimento cinematográfico que não dera certo (naquela época, além do jornalismo tinha “cabeça inchada” pela Sétima Arte). Do desarrolho, sobrou-me um bom equipamento cinematográfico, que se prestava muito bem ao serviço de reportagens para a TV. Era só filmar com filme reversível de 16 milímetros e colocar no tele-cine para rodar.
Era como as emissoras de TV se saiam, pois não conheciam ainda a câmera filmadora e o “vídeo - tape”, muito menos as filmadoras digitais de hoje. Bom. Aí, tivemos uma idéia salvadora, eu e meu compadre Romariz: saímos para produzir uma série de mensagens, que seriam gravadas com a participação de prefeitos em suas saudações ao futuro governador Guilherme Palmeira, cuja posse estava marcada para o dia 15 de março do ano seguinte. Quase ficamos ricos. Tivemos um Natal “gordo” e, até o dia da posse, não ia faltar trabalho. O carro usado pela “equipe de filmagem” era de Sabino, um Chevrolet com mais de 20 anos de uso, que nem piso no lugar do passageiro tinha. Tive que abrir as pernas, apoiando-as nas partes das ferragens internas, o que não evitava a onda de poeira e lama vinda de baixo.
Velocidade máxima: 60 Km. Nesse esforço, chegamos à Chã do Pilar por volta do meio dia, lisos e com fome. Observando as jaqueiras frutíferas à margem da estrada, fomos até elas. Com os minguados trocados do bolso, compramos uma doce, enorme e apetitosa jaca. Sentamos-nos ao pé da frondosa jaqueira e a almoçamos. Daí a 20 minutos, entravamos bem alimentados na cidade de Junqueiro, depois de São Miguel. O prefeito João José nos recebeu bem na hora de seu almoço. Quis que almoçássemos com ele e não aceitou a desculpa de que já tínhamos “almoçado”. Mesa farta de tudo: carne de sol, de bode, de porco, de veado, de pato e galinha a cabidela; feijão tropeiro e mulatinho; torresmo, a mesa repleta de tudo; tudo do bom e do melhor. – E, como podíamos nos banquetear, se estávamos de barriga cheia?...

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