Dom Hélder Câmara
Semana de 08 a 15/03/2008
Na semana passada, falei que o homem, em alguns momentos da vida se sente sozinho, abandonado por parentes e amigos, pois todos somem nas horas mais difíceis. Eu mesmo vivi momentos assim, quando morava em Recife na época da Ocupação Militar. Naquela época, conheci um homem com “H” maiúsculo: dom Hélder Câmara – uma criatura maravilhosa e sacerdote devotado inteiramente à sua religião, que o mundo do nosso tempo conheceu. Passava ele – como muitos dos que eram taxados de subversivos – por maus pedaços, cassado que era em seus direitos políticos pelos que se achavam donos do poder. Na realidade, um poder ditatorial, arbitrário (leia-se: militares, capachos desses, “inimigos ocultos” – pró “revolução 1964’, etc.etc.). O arcebispo de Olinda e Recife enfrentava toda sorte de obstáculos.
O Excelso pastor não perdia seu jeito de ser e de amar as pessoas com seu jeitão carismático e nobre. Andava com a mesma calma de sempre, pelas ruas de Recife e Olinda, cumprindo seu ministério. Um exemplo de dignidade e serviço religioso, onde não havia lugar para desesperanças. Avançava com destemor, como se estimulado por uma força divina, que não o permitia baixar a cabeça para a situação. Ia e vinha (sempre a pé, embora possuísse a Diocese dois carros novinhos na garagem), rasgando passagem entre os transeuntes; batinha já bastante surrada, encardida das nódoas do tempo. Os amigos mais afeiçoados e destemidos arriscavam-se a uma olhadela furtiva pela soleira da porta. Os amedrontados e acovardados, fugiam para longe. Ele escrevia, mas ninguém o lia. Era perigoso! Sem sermões...
Em seu livro O Deserto é Fértil, ele nos ensina: “É bom que ninguém se iluda, que ninguém aja de maneira ingênua. Quem escuta a voz de Deus e faz opção interior. e arranca-se de si e parte para a luta pacificamente por um mundo mais justo e mai fraterno, não pense que vai encontrar caminho fácil, pétalas de rosas debaixo dos pés, multidões à escuta, aplausos por toda parte e, permanentemente, como proteção decisiva a Mão de Deus. Quem se arranca de si mesmo e parte como peregrino da justiça e da paz, prepare-se par enfrentar desertos”. – E é assim: neste mundo desigual, de homens voltados apenas para seus próprios interesses, aqueles que se dividem em atenções com os demais, determinados em fazer apenas o bem enfrentarão sempre incompreensão e deslealdade às quantas!.

0 Comentários:
Postar um comentário
<< Home