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terça-feira, 29 de abril de 2008

BEZERRA NETO
Jornalista e escritor
E-mail:
bzneto@gmail.com
“Mestre Touca”

Semana de 12 a 19/04/08
Era exímio fogueteiro, que fabricava fogos de artifícios para os festejos de fim de ano, comícios e também reconhecido mestre de Guerreiro, vindo de Viçosa para Arapiraca. Chegou com a idéia de formar um grupo de ‘figurais’ e montar uma brincadeira, juntando-a ao naipe dos pastoris, cheganças, quilombos, dançadores do coco de roda e outras que são próprias dos autos natalinos da zona rural. O guerreiro, genuinamente alagoano, surgiu na década de 20 do século XX, formado por grupos de cantores e dançadores acompanhados de uma sanfona, tambor, pandeiros, uma clarineta, às vezes de rabeca e reco-reco. Para estudiosos do folclore nordestino se trata de um reisado moderno. Touca, então, formou seu grupo de ‘figurais’ que, arregimentados, se deram a fazer testes e comprovar sua aptidão para a função de dançar esse folguedo.
E o mestre começou à prática dos ensaios num terreiro de chão batido da Rua Boa Vista, que previamente preparou para montar o auto. Os que passassem nos testes iam logo para as naturais medidas dos trajes, dos chapéus de muito brilho de espelhos e lantejoulas, das ‘coroas’ e tiaras de rainhas e reis; das indumentárias de representação do ‘Índio Peri’, do Mestre e contra-Mestres, da ‘Lira’, de Mateus e palhaços, menos do ‘Catolé” – figura excêntrica e extrovertida, que se fazia aparecer revestida de grossa e peluda camada de ‘fios” retirados das palhas de coqueiro. A apresentação do ‘catolé’ fazia divertir a criançada e também os adultos. O guerreiro do mestre Touca estava pronto para se apresentar ao público. Para assistir ao ensaio geral, foram convidadas as mais destacadas pessoas do lugar. Os tocadores entraram e os “dançarinos” já marcavam seus passos característicos da dança guerreira na pista aguada para não levantar poeira. O ‘Boi’ fazia piruetas, os palhaços tentando derrubá-lo pelo ramo, fazendo-o rodopiar como numa corrida de mourão. Tudo perfeito!... Aplausos e mais aplausos. Mas havia algo errado: no meio das palmas surgiram vaias e risadas incômodas. Touca logo se apercebeu do que se tratava: “Catolé’ estava com as ‘coisas’ do lado de fora e não se dera conta do ridículo. Cantando e dançando, para disfarçar, foi até ele. No ritmo, despachou: Tum , Tum, Tum: “Feche a braguilha, ‘Catolé’!... Tum, Tum, Tum, “Feche a braguilha, ‘Catolé’!... E, com o figural não ligava, pensando que estava mesmo ‘abafando’, o mestre resolveu acabar com a sua alegria: deu-lhe um soco certeiro no pau da venta, depois bradou: “feche essa braguilha, ‘fio da peste’!!!...

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